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Linha Diabetes

Linha Diabetes

Diabetes – Prevenção e Tratamento

31.03.08, João Vilela Gonçalves

Meu Caro Diabético,

 

Se alguém ouvir falar em cancro, fica logo assustado. Alguns, erradamente, fingem desconhecer essa doença. Mas porque é que o cancro assusta tanta gente? Porque se arrasta, porque dói, porque mata?

 

Muitos de nós não sabem, porém, que a principal causa de morte em Portugal são as doenças cardiovasculares. Estou a falar-vos do tão conhecido enfarte (do coração), das tromboses e das hemorragias cerebrais. Todos nós temos um conhecido que morreu de uma destas doenças ou que sobreviveu, mas que se encontra paralisado de um lado do corpo ou que ficou incapaz de andar. Recordamos frases como “quem o viu e quem o vê”, “era um homenzarrão”, “era uma mulher de armas”. Era, mas já não é! Porquê? Por desleixo? Por gula?

 

Para as doenças que referi existem factores de risco. São alterações que aumentam a possibilidade daquelas doenças acontecerem. É o caso da diabetes, das gorduras ( o colesterol e os triglicéridos) aumentadas no sangue, no consumo de tabaco e da tensão arterial elevada. Todos eles valem por si próprios, mas juntos tornam-se mais fortes e o risco aumenta.

 

Meu caro diabético, infelizmente, o açúcar que tem a mais no seu sangue não se controla só com os comprimidos ou a insulina. O diabético necessita de ter disciplina e dedicação e ser responsável. Caso contrário, arrisca-se a cegar, a que os rins deixem de funcionar e até a ficar amputado. Pelo meio estão os enfartes, as tromboses e as hemorragias cerebrais.

 

Deixámos de saber comer e estamos a morrer sem darmos por isso. Actualmente metade da nossa população tem excesso de peso e 15 em cada 100 pessoas são gordas. Peso a mais provoca diabetes.

 

Hoje quem tem 50 ou 60 anos quantas histórias vividas tem para contar? Quem não reconhece o que a vida mudou desde a sua juventude? E os hábitos alimentares? Quantos de nós trocaram o almoço em casa por uma refeição rápida num balcão de pastelaria? Quantos netos preferem a Coca-Cola, os sumos de garrafa, o pacote dos fritos, os hambúrgueres e as pizzas, ao peixe cozido, às hortaliças e à água?

 

O diabético tem de tomar conta de si próprio e deve ter em mente três coisas:

 

Quantidade, qualidade e tempo.

 

A quantidade de comida ingerida é determinante. Teste a menor quantidade de comida que consegue ingerir de uma vez. O pão e seus acompanhamentos (queijo e fiambre), a fruta, o leite e os iogurtes devem ser comidos entre as principais refeições (pequeno-almoço, almoço e jantar).

 

Divida o pequeno-almoço em dois e faça dois pequenos lanches, variando a qualidade dos alimentos e não se deite sem comer alguma coisa (por exemplo um copo de leite meio gordo). Duas peças de fruta e duas carcaças por dia parecem-me suficiente, mas devem ser comidas de forma repartida. Nas refeições principais, um bom prato de sopa (com tudo o que a horta dá e duas batatas) é desejável. Mas cuidado com a gordura que fica à superfície. Tire-a. De seguida 100 a 120 gramas de carne ou peixe são suficientes. Dois ovos têm as proteínas daquela quantidade, portanto não se devem juntar ao peixe nem à carne. Acompanhe com legumes e saladas. Junte duas batatas ou seis colheres de sopa de arroz (depois de cozinhado) ou oito colheres de sopa de feijão ou grão ou 10 colheres de sopa de favas ou ervilhas.

 

Quanto à qualidade prefira os crus ou cozidos e grelhados aos fritos, mas evite temperá-los com manteiga derretida. Utilize o azeite, o limão e as ervas aromáticas. Não fica caro, experimente. Calculo que não esteja habituado à comida insonsa. É pena! Então opte pelo meio sal. Se mesmo assim tem a tensão alta, corte.

 

Por favor esqueça a maionese, o ketchup, a mostarda. Esqueça os folhados e as empadas que estão carregados de gordura e onde a carne é de qualidade duvidosa. Esqueça as bolachinhas e os bolinhos, mesmo os secos. Considere que o azeite e os molhos são para temperar e não para molhar o pão.

 

Todos sabemos que a alimentação é, além do mais, um acto social, que leva a cometer excessos. É muito importante o lado psicológico de sentar à mesa. Por pouco que comamos. O diabético deve comer de tudo, inclusive um doce, embora estes estejam reservados para os dias de Festa.

 

E o tempo? Devemos demorar cerca de 20 ou 30 minutos a almoçar ou a jantar, comendo em locais calmos, pousando os talheres entre cada garfada e mastigando bem os alimentos. Para as pequenas refeições 5 ou 10 minutos serão suficientes. Muitos dizem-me que não têm esse tempo, mas quanto demoram a fumar um cigarro ou a irem à casa de banho?

 

Uma última palavra para o exercício físico. Quanto mais evoluídos somos, menos exercício fazemos. Levamos o carro para comprar o jornal, apanhamos o elevador para subir um andar, estamos em permanente caça ao transporte. Hoje qualquer passo, parece um exagero.

 

Pela sua saúde mexa as pernas. Ajude o organismo a queimar o açúcar que tem a mais. Exercício “muito” ou “pouco” depende de cada um. Correcto seria por exemplo, em Lisboa, percorrer a Avenida da Republica, do Saldanha a Entrecampos, em 30-40 minutos duas vezes por dia, de preferência depois das principais refeições.

 

Por fim, utilize as fitas de controlo (que medem o açúcar no sangue) para avaliar o resultado do que come, do exercício que faz e da medicação que lhe foi prescrita. Não se iluda. As decisões estão nas suas mãos.

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